Vítima de acidente na Sapucaí diz gastar R$ 12 mil com cirurgia e acusa Unidos da Tijuca de omissão

Advogado de Rafaela Marcolino da Silva diz que sua cliente pediu apoio dos amigos para arcar com custos da operação. Assessoria da escola afirma ter procurado acidentados.

O que deveria ser um sonho, acabou virando pesadelo para Rafaela Marcolino da Silva, integrante da escola de samba Unidos da Tijuca que ficou ferida após carro alegórico desabar na Sapucaí na noite de segunda-feira (27). De acordo com o advogado da vítima, Carlos Viana, os custos da cirurgia já chegam a R$ 12 mil, fora os tratamentos de fisioterapia que Rafaela vai ter que fazer.

Rafaela teve fratura da tíbia e fíbula, ossos do tornozelo, e recebeu os primeiros socorros no Hospital Miguel Couto, mas acabou operando em um hospital particular nesta quarta-feira (1°). O advogado conta que o valor foi pago pelo trabalho de Rafaela, amigos e familiares, e ressaltou que a omissão da escola Unidos da Tijuca deixou Rafaela abalada com a situação.

“Houve omissão. Primeiro, no momento do acidente, em que estavam pessoas feridas e o desfile aconteceu normalmente. Foi uma sucessão de erros. Depois, no Miguel Couto, onde não apareceu nenhum representante da escola”.

Carlos Viana conta que somente no dia seguinte ao acidente, no Hospital dos Bombeiros, sua cliente teve uma breve conversa com a assessora e o coreógrafo da escola. “Só procuraram minha cliente após a campanha dela nas redes sociais. Passei os custos da cirurgia e as necessidades iniciais para a assessora, que ficou de ter uma reunião com o setor jurídico da escola e depois me retornar. Mas ninguém ligou até agora. Portanto, vamos avaliar todos os reembolsos, apresentar para a escola e avaliar possíveis medidas jurídicas”, alega o advogado.

Escola nega omissão

Procurada pelo G1, a assessoria da escola negou omissão. “Estivemos no Hospital dos Bombeiros para falar com ela. No Miguel Couto, um diretor da escola esteve lá, mas a Rafaela já havia sido transferida. Estamos avaliando os casos individualmente e vamos dar um retorno a todos os envolvidos no acidente em breve. Todos são prioridades”, disse a assessoria.

Segundo o advogado, Rafaela pediu para ser tranferida após médicos do hospital Miguel Couto alegarem não ter o material no estoque para que a cirurgia fosse realizada no mesmo dia. “Deram um prazo de até uma semana, pois teriam que realizar o pedido do material. E estavam priorizando atendimentos mais graves emergenciais”, contou Carlos.

Com o pé imobilizado e sentindo fortes dores, segundo o advogado, Rafaela foi para o Hospital dos Bombeiros, já que é mulher de um oficial dos Bombeiros, mas também teria que aguardar para fazer a cirurgia. “No Miguel Couto, ela teria que esperar uma semana. No hospital dos Bombeiros tinha todo o material necessário para cirurgia, mas ela teria que aguardar até sexta-feira (3). Ela ficou com medo de ter problemas e resolveu fazer a cirurgia de imediato, em uma clínica particular, após pedir ajuda de amigos de trabalho e familiares.”

Em conversa com o G1, Rafaela disse que só pensa em descansar após todo o ocorrido e que seu advogado falaria por ela. Entretanto, ela disse que só pediu para ser tranferida do Miguel Couto porque estava numa maca, sentindo fortes dores. “Agora, só estou querendo descansar”, disse Rafaela.

O advogado ainda ressaltou que Rafaela é uma pessoa conhecida na escola e que merecia mais atenção. “A Tijuca sabia quem ela era. Chegar junto, prestar auxílio não é fazer favor. A escola tem a obrigação de arcar com todos os custos. Rafaela entrou bem na Avenida e saiu acidentada. Depois disso tudo, a assessora da escola ainda veio dizer que os posts da minha cliente estavam deixando a escola com fama negativa, pediu que a Rafaela tivesse amor à escola e ainda questionou dizendo que ela poderia ter esperado uma semana para fazer a cirurgia.”

A assessoria da Unidos da Tijuca nega ter pedido para que vítima tivesse amor à escola. “Falei apenas que ela estava falando que a escola foi omissa e a escola não foi. Também não questionei o fato de ela não querer esperar a cirurgia. Disse apenas que ela saiu do Miguel Couto, que é um hospital de referência e que ela poderia ter ficado lá para aguardar a operação. O hospital tinha condições para fazer essa cirurgia”, comentou assessoria.

Falta de material em hospital

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Rafaela Marcolino recebeu os primeiros atendimentos no hospital Miguel Couto, mas se recusou a aguardar o prazo de uma semana para realizar a cirurgia que, segundo os médicos do hospital, não era de urgência. A assessoria também afirmou que não procede a informação de que o hospital não teria o material (incluindo pinos ortopédicos) a ser utilizado na operação.

“Ela queria operar logo, pediu para ser liberada alegando ter plano de saúde e que também poderia ser atendida no Hospital dos Bombeiros, por causa do marido. Ela teve uma fratura no tornozelo, foi imobilizada e aguardaria internada a operação que não é emergencial. O fato é que ela não quis aguardar. O hospital tem disponível o material que seria usado, pois é uma referência em ortopedia”, informou a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde.

g1

02/03/2017