O que os especialistas esperam da economia brasileira em 2017?

O mercado projeta um crescimento de 0,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano em relação a 2016. Apesar de modesto, isso significa que os especialistas estão confiantes de que o país irá sair da recessão após acumular perdas de mais de 7% na atividade econômica nos últimos dois anos.

Entretanto, o economista Raí Chicoli afirma que no momento não é possível descartar a possibilidade do Brasil ainda estar em recessão ao fim de 2017, sobretudo devido ao carregamento estatístico de 2016. “De qualquer forma, os resultados não serão tão ruins como os do ano passado, serão melhores”, diz.

Segundo Wilson Amorim, professor da FEA/USP, um dos motivos que fazem a economia brasileira sofrer é a exposição prolongada a juros reais elevados. A Selic em alta é um método defendido principalmente por economistas da área financeira como sendo eficaz para deter a inflação. “Só que em vez de colher resultados imediatos e duradouros sobre o crescimento dos preços, o país entrou em recessão. O efeito da taxa básica de juros elevada sobre a desaceleração da inflação foi pequeno se comparado ao custo social causado pela retração econômica”, afirma.

Já com as perspectivas de inflação próximas ou abaixo da meta de 4,5%, o Banco Central começou a ajustar a Selic com vigor, contribuindo para o consumo e os investimentos. O mercado até projeta que a taxa básica de juros termine o ano em um dígito, evento que não acontece desde janeiro de 2014.

Apesar disso, a confiança do brasileiro tende a se restaurar aos poucos. De acordo com Cleveland Prates, sócio-diretor da Microanalysis Consultoria Econômica, somente a queda dos preços não será o suficiente para se esperar uma recuperação baseada no consumo, “porque os indicadores de confiança ainda estão muito ruins”.

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) está 4,5% abaixo da média histórica, mesmo com a alta de 3,5% em janeiro sobre dezembro, chegando a 103,8 pontos, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Toda esta movimentação econômica irá demorar um pouco para impactar no mercado de trabalho. O índice de desemprego tem uma defasagem em relação à atividade econômica, por isso, só deve demonstrar melhora a partir do segundo semestre. “A taxa de desocupação tende a desacelerar, só que não se espera reajuste salarial”, diz Maria Cristina Cacciamali, professora de economia da FEA/USP.

Outra grande questão é a Reforma da Previdência, os especialistas são unânimes em dizer que ela é importante para o governo conseguir estabelecer o equilíbrio das contas públicas. Mas, mexer na aposentadoria é sempre polêmico e preocupante para o trabalhador, por isso, “os brasileiros terão de aprender a gerenciar e investir melhor seus recursos, fazendo um esforço adicional para poupar uma parcela de sua renda. Melhorar a qualidade das escolhas do consumo no presente pensando no futuro”, aconselha a economista Vera Martins.

 

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13/03/2017