Moradores ateiam fogo a dois ônibus no Rio: Puro terrorismo, diz motorista

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Moradores atearam fogo a dois ônibus na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, por volta das 14h desta terça-feira. O ato seria uma retaliação a uma ação policial na Favela do Barbante. Segundo o 17º BPM (Ilha do Governador), após policiais acompanharem uma ação da Prefeitura para a derrubada de construção irregular na Vila Joaniza, moradores protestaram ateando fogo em um ônibus na Estrada do Galeão e queimaram lixo na Estrada das Canárias. A ocorrência ainda está em andamento. Tiros foram disparados no local. Em entrevista ao EXTRA, o motorista de um dos coletivos, que não quis se identificar, contou que estava parado num ponto na Estrada do Galeão quando foi interceptado por cerca de 15 bandidos encapuzados.

– Vi que pelo menos um deles estava armado. Ele ficou do lado de fora. Os outros entraram com latas de spray na mão. Primeiro, não deixaram ninguém sair e queriam que eu atravessasse o ônibus na pista. E aí pensei que iam queimar tudo com a gente dentro. Foi puro terrorismo – relatou ele, que tem 44 anos e seis de profissão.
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O motorista contou que por fim os criminosos deixaram que todos saltassem do ônibus:
– Conseguimos fazer com que deixassem que todos saíssem. Depois, usando as latas que carregavam, eles incendiaram o ônibus – contou.

Ele disse que a situação fez com que começasse a pensar em abandonar a profissão.
– Fiquei muito nervosos na hora. Vou chegar em casa, meditar e ver se vale a pena continuar. A gente fica com vontade de largar a profissão – contou.
Bombeiros seguiram para o local, assim como equipes do 17º BPM (Ilha do Governador).
Em nota, a Fetranspor manifestou repúdio ao ataque ao ônibus. “Somente este ano, 27 ônibus foram destruídos em atos criminosos – o custo de reposição chega a mais de R$ 10 milhões”, diz o sindicato, em nota.
A CCR Barcas informou, em nota, que vai reforçar o atendimento aos passageiros na linha Cocotá. “Em virtude do protesto que acontece na tarde desta terça-feira na Ilha do Governador, a CCR Barcas realizou o remanejamento da frota do transporte aquaviário, com o objetivo de disponibilizar embarcações de maior capacidade para atuarem na linha Cocotá. A Concessionária está preparada para atender um possível aumento na demanda de passageiros”, diz a nota.

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Ônibus escapa
O motoboy Rodrigo Mendes do Nascimento, de 38 anos, passou pelo local no momento em que um grupo de pessoas tentou incendiar outro ônibus, mas o motorista não parou e consgeuiu se livrar.
— Já tinham incendiado um ônibus e a pista estava fechada em um dos sentidos, então eu parei e comecei a filmar. Nessa hora vi um pessoal vindo de dentro do morro para se juntar a outras pessoas que estavam do outro lado da pista para tentar incendiar outro ônibus. Mas o motorista não parou — conta o motoboy.

Leia a nota da Fetranspor:
“A Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) manifesta seu repúdio a mais um ataque a ônibus, na tarde desta terça-feira, 28 de junho, na Ilha do Governador. O incêndio a um veículo da linha 323 (Bananal x Castelo) aconteceu na Estrada do Galeão, no trecho próximo à Estrada das Canárias, por volta das 14h. Somente este ano, 27 ônibus foram destruídos em atos criminosos – o custo de reposição chega a mais de R$ 10 milhões.
Um levantamento realizado pela Fetranspor mostra que 56 veículos, sendo um deles articulado, foram incendiados no Estado nos últimos 12 meses. Com isso, o estado do Rio contabiliza uma média de um ônibus queimado por semana. A reposição da frota destruída está estimada em mais de R$ 20 milhões.
Para repor um veículo incendiado é preciso até seis meses entre encomenda, montagem, entrega e licenciamento. Durante esse período, 70 mil passageiros (cada ônibus urbano) ou 210 mil passageiros (articulado) deixam potencialmente de ser transportados. A reposição pode ser dificultada num cenário de crise no setor, como o atual – seis empresas paralisaram suas atividades no último ano na capital, por causa das dificuldades financeiras e das condições de financiamento mais rígidas na linha de crédito de bancos públicos e privados para compra de ônibus”.

EXTRA