Justiça vai analisar decisão que inocentou réus do caso Eliza do crime de corrupção de menores

Em 2011, a juíza absolveu Bruno Fernandes e outras sete pessoas da acusação. O processo se refere a um primo do goleiro, na época adolescente, que confessou ter participado dos crimes contra Eliza Samudio.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) vai analisar mais uma vez a decisão da juíza Marixa Rodrigues que absolveu, em 2011, os réus envolvidos no caso Eliza Samudio do crime de corrupção de menores. A apreciação foi marcada para o dia 19 de abril. O processo se refere à participação do primo de Bruno Fernandes, Jorge Luiz Rosa, na época com 17 anos, que confessou ter participado do sequestro e do cárcere privado da vítima.

O Ministério Público (MP) chegou a recorrer da decisão. Ao analisar o pedido, a 4ª Câmara Criminal concordou com a juíza. Segundo o relator do caso, desembargador Doorgal Andrada, não havia provas de que Jorge teria sido corrompido pelos acusados. “Conforme se vê pelas suas várias declarações, prestadas perante a autoridade policial e também em juízo, o menor mostra-se influenciável, algumas vezes sem compromisso com a verdade, já que constantemente muda a versão apresentada para os fatos”, disse ele na época.

Porém, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a configuração do crime não exige prova da efetiva corrupção do adolescente. Por causa disso o caso será analisado novamente.

Os réus são Bruno Fernandes; Luiz Henrique Romão, o Macarrão; Marcos Aparecido dos Santos, o Bola; Dayanne Souza; Wemerson de Souza, o Coxinha; Fernanda de Castro; Elenilson Vitor da Silva e Sergio Rosa Sales, que morreu assassinado em 2012.

Jorge Luiz Rosa cumpriu dois anos de medida socioeducativa por participar de atos infracionais análogos a homicídio triplamente qualificado e a sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio. Ele foi liberado em setembro de 2012.

Sentenças

Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio e também pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho. Ele recebeu habeas corpus em fevereiro deste ano e deve ser apresentado pelo Boa Esporte ainda esta semana.

Dayanne Rodrigues, ex-mulher do jogador, foi absolvida da acusação de sequestro e cárcere privado do bebê.

Elenilson da Silva e Wemerson Marques – o Coxinha – foram condenados a 3 anos e a 2 anos e meio, respectivamente, por sequestro e cárcere privado do filho da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes.

Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão. Ele está preso na Penitenciária Pio Canedo, em Pará de Minas, desde junho de 2016, quando conseguiu progressão para o regime semiaberto e passou a sair do presídio para trabalhar como zelador de uma igreja evangélica.

Fernanda foi culpada por dois crimes de sequestro e cárcere privado, de Eliza Samudio e de seu filho, Bruninho. Ela foi condenada à pena de 2 anos e 3 anos respectivamente, ambas em regime aberto.

Bola foi condenado a a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio e pela ocultação do cadáver da ex-amante do goleiro Bruno.

g1

13/03/2017