Jovem gravou áudio antes de morrer no RJ: Acho que estou meio perdido

Acreano morreu em um acidente na Linha Amarela, no Rio de Janeiro.  Mãe tenta resolver burocracia para levar corpo para Rio Branco.

Ainda muito abalada com a perda do estudante de arquitetura e urbanismo, Wanderson Nascimento, de 21 anos, a prima da vítima, Ágatha Inara, de 27 anos, conta que o jovem chegou a mandar áudio para avisar que estava perdido e voltaria para a casa. Nascimento foi encontrado morto após sofrer um acidente de moto na Linha Amarela, na altura do pedágio, na madrugada de sábado (18).

Em um áudio de 30 segundos, o estudante conta que foi parado em uma blitz e acabou se perdendo. “Então, na verdade, eu tô no caminho. A polícia parou e aí fui liberado, passei quase 30 minutos lá, fui liberado e aí me atrasei um pouco. Eu não sei onde é a Pedra da Gávea aqui, acho que estou meio perdido. Eu vou acabar é voltando pra casa”, diz.

O corpo foi encontrado nesta segunda-feira (20). De acordo com a família, o estudante havia marcado um passeio com um grupo de amigos para a Pedra da Gávea, mas se perdeu e teria sofrido o acidente ao tentar voltar para casa.

“Ele era um rapaz tranquilo. Não tinha conhecimento de como andar no Rio, pois, nesses 3 anos ele ficava mais por Niterói mesmo. O que sabemos é que ele estava participando desse grupo de passeio há mais ou menos uma semana. O único amigo dele que conhecíamos desistiu de ir de última hora, mas foi através dele, que também estava nesse grupo de WhatsApp, que conseguimos chegar até outras pessoas”, conta.

O amigo conseguiu o contato com a líder do grupo, que contou que ele havia avisado que tinha se perdido no áudio. “Ela disse que ele tinha mandado um áudio dizendo que tinha se atrasado para o ponto de encontro, que seria em uma praça, por conta de uma blitz e disse que iria voltar para casa”, relata.

Na tentativa de voltar, o acidente aconteceu, acredita a família. De acordo com a prima, a moto de Nascimento bateu contra um veículo e outro passou por cima dele. Ainda segundo ela, a moto do estudante explodiu com o impacto. “No áudio, ele está falando bem tranquilo. Acredito que tenha ficado perdido”, destaca.

O estudante estava morando em Niterói há cerca de 3 anos, quando foi visitar uma prima e conseguiu uma bolsa na Faculdade Anhanguera, onde estudava arquitetura e urbanismo. Ele também trabalhava em uma empresa de telemarketing.

A mãe de Nascimento, Hosana Amorim, chegou ao Rio de Janeiro no domingo (19). A prima conta que ela se desesperou ainda no sábado, porque havia se confundido com as datas e não conseguiu avisar ao filho.

“Primeiro, ela disse que chegaria aqui sábado. Mas, tinha se confundido nas datas e não conseguiu avisar pra ele que, na verdade, chegaria no domingo. Ele estava muito ansioso pela chegada dela e quando viu que ele não estava no aeroporto, enlouqueceu, porque sabia que ele não deixaria de buscá-la de forma nenhuma”, relembra.

Despedida
Ágatha chegou em Niterói há 11 dias e estava hospedada na casa do estudante. Ela conta que, na noite do desparecimento, estava na casa de uma amiga, próximo de onde Nascimento morava.

“Ele saiu daqui meia-noite. Como eu estava na casa de uma amiga, ele veio deixar a chave pra mim, mas ele tinha uma cópia. Daí, ele disse que ia em casa tomar um banho pra sair. Ele ainda disse: ‘prima, não vou te chamar porque a acessibilidade é difícil’. Eu disse que estava tudo bem e ele foi”, relembra.

O estudante e a mãe se falavam todos os dias. A prima conta que Hosana está muito abalada e tentando unir forçar para resolver a burocracia e levar o corpo para Rio Branco, onde a família mora.

“A mãe dele ficou desesperada e até agora está muito aflita pensando em como vai chegar com o corpo em Rio Branco. Nossa família tinha acabado de perder outra pessoa querida. Um primo meu também teve morte cerebral na sexta [17] e na segunda [20] tivemos a notícia da morte do Wanderson. A família está muito abalada”, diz emocionada.

Burocracia
Com a ajuda de amigos, a mãe está resolvendo o processo de translado. Ágatha diz que a família ainda não sabe quando o corpo deve chegar à capital do Acre, mas alega que estão recebendo ajuda de amigos do Rio e também do Acre.

“A mãe dele voltaria comigo no dia 2 de março, agora ela vai quer antecipar a volta e eu também quero estar com ela e ir junto”, finaliza.

g1

21/02/2017