Igreja evangélica em Maceió é excluída de congregação por batizar gays

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Após assembleia extraordinária realizada no último sábado (09), na cidade de Vitória, no Espírito Santo, a Convenção Batista Brasileira (CBB) decidiu excluir a Igreja Batista do bairro do Pinheiro, em Maceió, do rol de filiadas. O motivo da exclusão da CBB – responsável pela organização de vários seminários teológicos e de adoração – foi a decisão tomada pela congregação de Maceió, também em assembleia extraordinária, no início do ano, de integrar homossexuais à igreja, por meio de batismo.

A Igreja Batista do bairro do Pinheiro chegou a enviar uma carta à Convenção Batista Brasileira, na última terça-feira (05). “Todo o processo de exclusão é doloroso e não desejamos ser excluídos da Convenção. Surpreendentemente, estamos em processo de exclusão por desejarmos ser includentes”, diz um trecho da carta.

O pastor Wellington Santos, presidente da Igreja Batista do Pinheiro, informou à reportagem do TNH1 que espera apenas o comunicado oficial da Convenção Batista Brasileira.

“Agora já foi e é vida que segue. Não temos ainda a informação oficial, mas após a assembleia houve a repercussão. Esperamos apenas o documento oficial com a decisão”, explica.

Para o presidente do Grupo Gay de Alagoas, Nildo Correia, a decisão da CBB pode ser encarada como um momento de inquisição.

“É o reflexo da pura ignorância. Nós também somos gente. Alguns líderes religiosos usam a palavra de Deus para propagar ódio e exclusão e trazer de volta os tempos da inquisição”, acredita.

Ainda para o presidente do GGAL, a decisão reflete um ‘falso moralismo’ por partes de algumas instituições religiosas.

“O pastor Wellington está de parabéns. Sofremos diversos massacres diariamente. Somos excluídos por todos os setores da sociedade, em nome não de Deus, mas de uma falsa moral”, diz.

Abaixo, leia trechos da carta aberta enviada à CBB:

A Igreja Batista do Pinheiro, reunida em Assembleia extraordinária no dia 28 de fevereiro do ano em curso, como é de conhecimento de irmãos e irmãs, aprovou por maioria absoluta de votos que qualquer pessoa que confesse Jesus Cristo como Senhor único e Salvador de sua vida, independente de sua condição social, econômica e sexual será recebida formalmente no rol de membros da igreja.

A decisão apenas reitera o que consta nos estatutos da Igreja. Isso porque, na prática, e na consciência de todos e todas presentes, a deliberação garantia finalmente, a aceitação por batismo, carta de transferência e aclamação, de pessoas homoafetivas, concluindo um demorado processo de dez anos, provocado por um irmão que confessou publicamente a sua condição de homossexual e manifestou o desejo de ser batizado, talvez sem imaginar o rebuliço que causaria.

Desse modo, ficamos perplexos com chistes inconvenientes, acusações infundadas, desrespeitosas, ameaças descontroladas vindas de irmãos e irmãs de fora, inclusive de pastores e líderes eclesiásticos, que atingem a igreja como um todo, mas de modo mais contundente a família pastoral. Mas mais perplexos ainda ficamos com a notícia de que a Convenção Batista Brasileira se preparava para instaurar um processo disciplinar, cujo objetivo era excluir sumariamente a Igreja Batista do Pinheiro de seu rol de igrejas filiadas.

Repercussão

A carta enviada à CBB também foi postada nas redes sociais da Igreja, gerando diversos compartilhamentos e comentários em apoio à congregação do bairro do Pinheiro.

“Eu nunca quis ir à igreja na vida, mas depois dessa carta acho que tá na hora de repensar isso. Obrigada por existir, Batista do Pinheiro”, comentou um internauta.

“Parabéns Igreja Batista do Pinheiro. Se um dia voltar às Igrejas cristãs seria pra uma em q (sic) eu acreditasse. E em vcs (sic), tenho fé. Praticar o bem e acomodar todo e qualquer cristão q (sic) decida entrar por suas portas e fazer parte dessa comunidade. Parabéns”, escreveu outro internauta.

“Recebam meu afeto e apoio. Agradeço a coragem, vcs (sic) me inspiram a ser melhor em Cristo”, disse mais um internauta.

Em março deste ano, logo após a decisão, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) também prestou solidariedade através de nota pública à comunidade da Igreja Batista do Pinheiro.

Géssika Costa – TNH1