Boa sorte para ele, disse Moro ao ser questionado sobre indicação de Moraes ao STF

Boa sorte para ele, disse Moro ao ser questionado sobre indicação de Moraes ao STF

O juiz Sérgio Moro, responsável pala Lava-Jato, desejou nesta segunda-feira boa sorte ao ministro que vai ocupar a vaga deixada por Teori Zavascki, que morreu em acidente aéreo no mês passado. O responsável pelos processos da Lava-Jato na Justiça Federal do Paraná está em Nova York, onde fez uma palestra para alunos e professores da Columbia University e foi alvo de manifestantes que o acusavam se ser parcial em suas decisões.

Questionado sobre a indicação do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para o Supremo, o juiz disse que não estava a par das notícias no Brasil, mas que, se é verdade que Moraes foi indicado, ele não poderia dar opiniões sobre seu nome.

— Boa sorte para ele, mas não tenho opinião para dar — disse, arrancando risos da plateia da Columbia University.

Questionado também sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal de deixar com o ministro Edson Fachin os processos da Lava- Jato que estavam com Teori, Moro afirmou que não tem condições de avaliar um ministro do Supremo, mas indicou, indiretamente, que ficou feliz com a escolha:

— Fachin é um grande jurista, está no Supremo desde 2015, em acho, e ele tomou importantes decisões. Ele é um julgador independente, mas eu não tenho autoridade para avaliar um ministro do Supremo — disse.

Ao menos três manifestantes foram expulsos da biblioteca da Columbia University, onde a palestra aconteceu. Os manifestantes se levantaram das cadeiras e, com cartazes e aos gritos contra o juiz, acusaram-o de ser parcial em suas decisões. Muitos gritavam que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe no Brasil. Por causa do protesto, o início da palestra atrasou cerca de 10 minutos.

Após o protesto, o magistrado aproveitou sua palestra para reafirmar que suas decisões são imparciais. Ele afirmou que julga com base no que os investigadores e promotores apresentam, baseado em evidências e seguindo a lei e que “ninguém é preso com base em suas opiniões”:

— Eu tive uma grande oportunidade no ano passado de conversar com pessoas da Operação Mãos Limpas (na Itália), e eles me disseram que, se a gente quer parar o conflito entre a Justiça criminal e a política, os políticos precisam parar de cometer crimes — disse ele, que apesar dos protestos, em muitos momentos foi aplaudido em pé. — Se os promotores apresentam evidências, eu tenho que decidir sobre as evidências, e as consequências políticas ocorrem fora dos tribunais.

o globo

06/02/2017