Apresentado no Inter, Falcão promete fim do chutão e quer carinho da torcida

Treinador inicia 3ª passagem como técnico e diz que time “pode render mais”

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O eterno camisa 5 voltou. Exatamente às 14h15 desta quarta-feira, Paulo Roberto Falcão adentrou a sala de imprensa do Beira-Rio, acompanhado do presidente Vitorio Piffero e do vice de futebol Carlos Pellegrini. De volta para “casa” onde nasceu para o futebol e ganhou notoriedade mundial, iniciou oficialmente a terceira passagem como comandante colorado.

Eu tenho noção exata do tamanho do desafio, mas felizmente as coisas na minha vida nunca foram fáceis. Isso sempre me deu condições de provar a cada momento. Minha vida sempre foi uma provação. Não vai ser diferente”
Falcão

Nas suas primeiras palavras como treinador, Falcão se mostrou plenamente satisfeito em voltar a comandar o clube do coração. E sabe que a exigência sobre do seu trabalho será gigantesca.

– Estou muito feliz de estar aqui. É uma situação que me gratifica, essa é a terceira passagem, de alguns envolvimentos que tive com o clube, da possibilidade de ir para o Roma, e com muito orgulho levar o nome do clube para a Europa. Eu tenho noção exata do tamanho do desafio, mas felizmente as coisas na minha vida nunca foram fáceis. Isso sempre me deu condições de provar a cada momento. Minha vida sempre foi uma provação. Não vai ser diferente – discursou.

Falcão recebe a camisa 5 na apresentação.

Como conceito de futebol, o treinador é adepto ao time que “sabe jogar”. Por isso, quer uma equipe compactada e promete o fim da ligação direta, que era uma das características da equipe de Argel, seu antecessor, demitido após a derrota para o Santa Cruz e hoje comandante do Figueirense.

De uma forma geral, acredita que o Inter tem totais condições de render mais em campo. A meta é acabar com a incômoda sequência de seis partidas sem vitória (cinco derrotas e um empate) que custou o emprego de Argel. A equipe é atual nona colocada no Brasileirão, com 20 pontos – nove atrás do Palmeiras.

Temos um grupo que pode realmente dar mais. Gosto do time que sabe jogar , que tenha condição de compactar bem, tenha marcação. O chutão é uma ilusão de 10 segundos porque a bola volta”
Falcão

– Temos um grupo que pode realmente dar mais. A expectativa é de que a gente possa subir e alcançar os voos que eu acho que o Inter pode alcançar. A volta para casa num time que eu me criei. É um bom momento para a gente recomeçar o trabalho – analisa. – Gosto do time que sabe jogar , que tenha condição de compactar bem, tenha marcação. O chutão é uma ilusão de 10 segundos porque a bola volta. Mas tem que tentar dar a confiança. Para não dar o chutão, tem que ter aproximação. O desafio é colocar isso em pauta – destaca.

Durante a apresentação, Falcão pediu “carinho” do torcedor. E após a entrevista, com cerca de meia hora de duração, o novo técnico já teve a primeira oportunidade de receber esse “carinho”. Se deslocou para o Beira-Rio para receber as boas-vindas dos colorados.  O comandante fará a estreia como treinador no domingo diante do líder Palmeiras.

– O momento requer uma velocidade, temos jogo contra o líder no domingo. A pressa é prejudicial. A gente tem que conversar, o trabalho tem que ser feito, coisas têm que ser modificadas. Não dá para modificar tudo, até porque nem tudo estava sendo feito errado. Ao longo do tempo vamos colocar coisas que acho importante num time de futebol. Você tem que criar um esquema que possa valorizar as características do jogador que se tem – explica.

O acerto foi selado durante reunião de quatro horas na noite desta terça-feira. Falcão se reuniu com presidente Vitorio Piffero e o vice de futebol Carlos Pellegrini em um restaurante localizado na zona norte de Porto Alegre para escutar a proposta, que foi aceita. Ao final da reunião, todos saíram sorridentes com o acordo que acabava de nascer Durante a madrugada, a direção alinhavou atrações para o jogo diante do Palmeiras. A primeira promoção tem como objetivo aproveitar a chegada do novo treinador para promover uma espécie de reconciliação com a torcida: os 5 mil primeiros torcedores que chegarem ao estádio com uma camisa de número 5 às costas – usado por Falcão em sua época de jogador – terão acesso gratuito.

Sem trabalhar desde abril, quando deixou o comando do Sport, Falcão tratou de acompanhar os clubes para se manter atualizado. O Inter, claro, em especial.

O torcedor é a razão máxima de existir. Evidente que a gente quer apoio, que desejamos ter o Beira-Rio lotado. Faz diferença, o time precisa de carinho”.
A chegada de Falcão também tem impacto na relação entre direção e torcida. Piffero e Pellegrini ficaram fragilizados com os resultados recentes. Protestos na segunda e na terça-feira tiveram tom de crítica à dupla, além dos jogadores. Os fãs, em uma faixa, pediam a saída do mandatário. Com o retorno do ídolo, os dirigentes recuperam o respaldo, principalmente pela empatia de Falcão com os colorados.

– O torcedor é a razão máxima de existir. Evidente que a gente quer apoio, que desejamos ter o Beira-Rio lotado. Faz diferença, o time precisa de carinho. O carinho vindo do torcedor faz ter um plus, a manifestação do torcedor é o que vai nutrir evidentemente os nossos jogos. Claro que só isso não adianta, tem que ter qualidade de jogo – destaca.

Terceira passagem

Falcão tem sua terceira passagem como técnico do Inter. A última ocorreu em 2011, quando foi campeão gaúcho com uma vitória sobre o Grêmio em pleno Olímpico – o último título profissional conquistado no antigo estádio tricolor. Porém, desgastado com a direção, comandada então por Giovanni Luigi, saiu três meses depois, no dia 18 de julho, após perder por 3 a 0 para o São Paulo em pleno Beira-Rio, em seu terceiro revés consecutivo – os outros foram para Vasco (2 a 0) e Corinthians (1 a 0). Ele também já havia comandado o Colorado em 1993.

Há cinco anos, Falcão acabou eliminado nas oitavas de final da Libertadores ao perder para o Peñarol – então treinado por Diego Aguirre, primeiro treinador da atual gestão –, por 2 a 1, de virada, em pleno Beira-Rio. O primeiro jogo, no Uruguai, terminou empatado em 1 a 1. Ao todo, foram 19 jogos, com oito vitórias, quatro empates e sete derrotas.

Como jogador, Falcão foi tricampeão brasileiro pelo Inter, em 1975, 1976 e 1979. Revelado no Beira-Rio em 1973, seguiu para o Roma sete anos depois. Na capital italiana, é idolatrado como um dos maiores craques da história do clube. Disputou as Copas do Mundo de 1982 e 1986.

Agora, resta saber se o ex-volante conseguirá levar o time de volta às primeiras posições no Nacional. O primeiro desafio está marcado para as 16h do próximo domingo, no Beira-Rio, diante do líder Palmeiras. O Inter é nono colocado, com 20 pontos.

Esquema tático
“Você tem que criar um esquema que possa valorizar as características do jogador que se tem. Tem que montar um esquema que possa ajudar jogadores a ter rendimento maior e que a gente possa tirar deles o que eles podem dar de potencialidade”.

Ano eleitoral
“O Sport estava vivendo ano político, último time que trabalhei. Isso não muda maneira de trabalhar. Acima de tudo está a instituição, acima de nomes, de jogadores. O patrimônio do clube é o respeito, a instituição. No momento em que estamos, em busca de resultados melhores, todo mundo puxa para o mesmo lado. Meu objetivo é colaborar dentro daquilo que tenho. São quase 50 anos de bola. Isso certamente vai ajudar muito. Eu vivo daqui para a frente. O que passou, passou. Temos que olhar para a frente”.

Meu contrato é de um ano e espero permanecer. Por que não sonhar com alguma coisa boa lá no final do ano?”
Falcão

Momento ruim
“É um momento em que a gente precisa ganhar. O mais importante é tentar ganhar o jogo. À medida que vai vindo, vamos ter condições. O grupo vai pegando mais confiança. Se a gente puder fazer um bom jogo, melhor. O grande desafio, o meu, como treinador, não quer dizer que se consiga, é construir um time que ganhe. Mas que permaneça ao longo do tempo com a marca de que ganhou e jogou bem. Se não, vira dado estatístico”.

O que conhece do Inter atual
“Eu via o Inter pela televisão, alguns jogos. O convívio é que vai me dizer isso. Às vezes, você se engana vendo na televisão, no sentido bom e no ruim. Tenho que me nutrir das maiores informações possíveis de quem estava aqui. Ter todas as informações para ver o que é possível mudar. Não trabalho com imposição. Gosto do convencimento, da argumentação com consistência. O que faz você conseguir montar o time é os jogadores acreditando na colocação tática, e evidente que eu cobro. Principalmente daqueles que podem dar mais. Eu não gosto de ficar impondo. Gosto de tentar criar a situação para crescer juntos na parte coletiva e da individualidade”.

Projeto
“O projeto é até julho, um ano de contrato. É meu primeiro objetivo e acho que o momento é bom, porque o campeonato está no início, embora faltem cinco rodadas para o primeiro turno, vai ter um período livre, depois entra Copa do Brasil. Vamos procurar acelerar o que for possível, sem pressa. Não vou dizer jogo a cada jogo. A gente não tem que ter coisas muito definidas. Futebol muda toda hora. Tem que ter convicções, mas não resposta para tudo. Meu contrato é de um ano e espero permanecer. Por que não sonhar com alguma coisa boa lá no final do ano?”

g1.globo.com

13/07/16