Agressões vividas por universitária viram filme de terror psicológico

Filme produzido por alunos de cinema da Unila é finalista em concurso. ‘Clube Stalker’ aborda ainda temas como perseguição e doenças mentais.

A violência contra a mulher é o tema central do curta-metragem “Clube Stalker”, produzido por estudantes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. O filme, dirigido pela estudante Alice Nicolau, é um dos cinco finalistas da etapa nacional de um concurso que premia jovens cineastas da América Latina. O vencedor será escolhido por votação popular pela internet.

Agressões sofridas pela diretora, de 23 anos, e amigos motivaram o roteiro do curta de terror psicológico. A proposta, conta Alice, surgiu da necessidade de se falar sobre a violência de gênero, da desumanização das relações, da saúde mental, do trauma, da depressão e do suicídio.

Bárbara, a personagem principal, é uma nadadora imigrante que sofre a frustração e a agonia de ser perseguida por um grupo de ‘stalkers’ em cada passo que ela dá por uma cidade hostilizada pela violência e pelo individualismo.

“A ideia do filme nasceu de discussões e experiências vividas entre meu círculo social de amigos de episódios de acosso, assédio, violência de gênero, xenofobia, homofobia, entre outros. Pessoas que fazem parte da equipe e que conhecemos passaram por situações traumáticas. Tivemos o feminicídio de uma companheira da universidade, Martina Piazza, em 2014, que chocou toda a comunidade local”, lembra a estudante alagoana.

A questão da saúde mental também ajudou a inspirar o roteiro de “Clube Stalker” logo após a morte do melhor amigo e colega de classe de Alice, o estudante Danto Giardina. “O suicídio de nosso amigo nos acendeu a importância de conversar mais sobre essas questões e exercermos nossa empatia. O filme é uma tentativa de falarmos mais sobre este aspecto da vida que é nossa saúde mental e do restabelecimento das relações sociais e das amizades.”

O roteiro passou por oito tratamentos até chegar à versão final. O curta já exibido em Foz do Iguaçu e na Universidade Nacional de Misiones, na Argentina, foi produzido em sete dias durante uma maratona proposta pelo professor Pablo Gonçalo. A equipe é formada por alunos dos cursos de cinema e audiovisual, letras, relações internacionais e integração, geografia e desenvolvimento rural e segurança alimentar.

Concurso
O concurso elege os finalistas e o vencedor da premiação segundo critérios como originalidade do conteúdo, qualidade cinematográfica, direção e produção, além dos pontos somados por meio de votação popular pela internet. O diretor do filme vencedor ganha uma bolsa de estudos na Califórnia. Já a universidade à qual está vinculado recebe R$ 16 mil para a compra de equipamentos.

A votação pela internet segue até dia 20 de fevereiro.

g1

10/02/2017