Novo AI5: Marx Beltrão diz que “democracia não pode jamais retroceder no Brasil”

O deputado federal Marx Beltrão disse na manhã desta sexta-feira (1) que a “democracia não pode jamais retroceder no Brasil”. A afirmação do parlamentar foi feita em resposta à fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP), que disse que um novo AI5 seria uma alternativa para o Brasil.

“O próprio presidente Bolsonaro repudiou a afirmação de seu filho e logo depois o deputado Eduardo Bolsonaro pediu desculpas pela fala. Jamais podemos compactuar com ditadura, falta de liberdade, censura ou atentados à democracia vigente no Brasil, já que cabe ao povo escolher seus representantes de forma livre, dentro das regras do Estado Democrático de Direito” disse Marx Beltrão.

“Qualquer tentativa de implementar um novo AI 5 no Brasil seria descabida, inoportuna, inadmissível e seria rechaçada pela sociedade, não tenho dúvidas. A democracia brasileira precisa ser defendida e ampliada, nunca ferida, nunca apequenada. Por isso o pedido de desculpas do deputado Bolsonaro foi muito importante” reiterou o parlamentar.

O Ato Institucional nº 5, conhecido usualmente como AI-5, foi um decreto emitido pela Ditadura Militar durante o governo de Artur da Costa e Silva no dia 13 de dezembro de 1968. O AI-5 é entendido como o marco que inaugurou o período mais sombrio da ditadura e que concluiu uma transição que instaurou de fato um período ditatorial no Brasil.

Presidente rechaça filho

O presidente Jair Bolsonaro disse que lamenta muito pela declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), líder do partido na Câmara, que sugeriu a possibilidade de reedição de um “novo AI-5” caso a esquerda “radicalize”, em entrevista publicada na quinta-feira (31/10) no canal do YouTube da jornalista Leda Nagle.

As declarações foram ditas ainda na quinta, na saída do Palácio da Alvorada. Foi o primeiro contato com a imprensa e apoiadores após o retorno, na manhã de hoje, de uma viagem de 12 dias na Ásia. Ao ser abordado sobre o tema, Bolsonaro respondeu, inicialmente, que o governo não concorda e não há em estudo nenhuma recriação de um AI-5. “O AI-5 existiu no passado em outra Constituição. Não existe mais, esquece. Cobre dele (Eduardo), não apoio. Quem quer que seja que fale de AI-5 está sonhando. Não quero nem ver notícia nesse sentido”, declarou.