Entidades e MP debatem tratamento do câncer pelo SUS em audiência na Câmara

Com estrutura precária, rede de atendimento só contempla 28% dos casos em Maceió

Luciano Milano/Dicom

Colo do útero e mama nas mulheres e próstata nos homens têm sido responsáveis pelos casos de câncer em Alagoas. Além disso, 60% da população está descoberta da rede de atendimento, o que é considerado um problema crônico.

Em resumo, essa é a atual situação pela qual passam os doentes de câncer no estado, debatida nesta sexta-feira (6), na audiência pública “Tratamento de pacientes com câncer pelo SUS”, realizada no Plenário Silvânio Barbosa da Câmara Municipal de Maceió.

Proposta pelo vereador Cléber Costa (Progressistas), a audiência foi prestigiada pelo procurador-geral do Ministério Público de Alagoas (MPE), Alfredo Gaspar de Mendonça; ONG Feminina de Combate ao Câncer; Conselhos de Secretárias Municipais de Saúde de Alagoas (COSENS); Secretária Municipal de Saúde, Santa Casa e Hospital Universitário.

“Entrei na audiência sabendo que o quadro era ruim e saio tendo a certeza de que a situação é infinitamente pior. Mais do que a falta de prevenção à doença, a população não tem acesso ao tratamento, e por isso precisamos agir para que comece a mudar. O MP está aqui para dizer que as portas estão abertas para construirmos uma nova política e cobrar dos gestores públicos medidas nesse sentido”, declarou Alfredo Gaspar de Mendonça.

Do COSEMS/AL, Kathleen Maura dos Santos falou sobre a dificuldade que o estado tem de ainda enxergar com clareza o cenário do câncer. “O diagnóstico da doença, por exemplo, continua tardio, e isso é causa de muitas mortes. Em Alagoas, por exemplo, temos 36 mamógrafos, mas metade deles está sem funcionar. Maceió, para se ter ideia, só consegue cobrir 28% da população na rede atendimento e o restante não é atendido, revelou.

Para o vereador Cleber Costa, a audiência foi um momento importante para se ter uma radiografia do drama que os pacientes com câncer vivem quando a única alternativa que eles têm de tratamento é o Sistema Único e apontou mais um fator que agrava a situação.

“Esse encontro serviu para que conhecêssemos mais de perto a realidade de quem sofre com câncer e das dificuldades que encontram para o tratamento. Mas, preciso lembrar que Alagoas recebe menos recurso por paciente que o Rio Grande do Sul, situação que acontece porque o estado tem informações precárias, o que significa uma subnotificação, que se reflete diretamente teto pago a Maceió”, explicou o vereador.